Prévias NFL 2018 – AFC Sul

Possivelmente a divisão mais aberta da NFL, a AFC Sul ganhou fama de fraca durante a década, mas tem potencial para ser uma das mais disputadas e com vários times de qualidade, que podem fazer frente para qualquer outra franquia da liga. Tennessee mudou de técnico e trouxe um coordenador para tirar o melhor de seu ataque, enquanto a defesa do Jaguars segue incrivelmente forte e recheada de talento e Texans e Colts recebem de braços abertos seus quarterbacks enfim saudáveis. O podcast da AFC Sul pode ser escutado aqui.

 

AFC Sul
Histórico (2002): 1 Super Bowl; 2 Títulos de Conferência.

Títulos de divisão (2002):
Colts: 9
Texans: 4
Titans: 2
Jaguars: 1

Wildcard (2002):

Titans: 3
Colts: 3
Jaguars: 2
Texans: 0     

 

Tennessee Titans
2017: 9-7 – Perdeu no divisional

Exp. Pitagórica Ajustada: 7.42
Jogos Apertados: 6-4
DVOA: 18º
DVOA Ataque: 18º
DVOA Defesa: 21º
DVOA Special Teams: 13º
Saldo: -22 (16º)
Turnovers: -4
Jogos Perdidos Ajustados: 27.6 (3º)
Força da Tabela: .465 (31ª)

Técnico: Mike Vrabel (2018) GM: Jon Robinson (2016)

Aquisições: QB Blaine Gabbert, RB Dion Lewis, WR Michael Campanaro, OT Kevin Pamphile, DT Bennie Logan, ILB Will Compton, CB Malcolm Butler.

Perdeu: RB DeMarco Murray, WR Eric Decker, C Brian Schwenke, DT Karl Klug, DT Sylvester Williams, ILB Avery Williamson, CB Brice McCain, S Da’Norris Searcy.

Draft: LB Rashaan Evans, OLB Harold Landry, CB Dane Cruikshank, QB Luke Falk

 

Existem duas formas de olhar o Titans. A primeira é ver Tennessee como o time que superou o esperado (saldo de pontos negativo, diferença grande na expectativa pitagórica) apesar de uma temporada ruim de seu QB com sorte nas lesões e algumas vitórias cruciais em uma divisão fraca para chegar aos playoffs e bater o time que sempre amarela. A segunda forma é ver um time que foi limitado por um técnico fraco, um quarterback que jogou bem melhor do que os números brutos indicam em um sistema limitado e com recebedores que prejudicaram em vários momentos e que tem tudo a evoluir graças a nova equipe técnica e algumas boas adições. Claramente os próprios Titans se enxergam no segundo caso, tendo demitido Mike Mularkey e trazido Mike Vrabel para seu lugar.

 

Com a segunda tabela mais fácil da liga e alguma evolução, dá para esperar uma equipe mais perigosa, mas a questão é que esse mesmo argumento vale para todos os times da AFC Sul. O cenário ideal para os titãs envolve o encaixe das boas adições defensivas, especialmente Malcolm Butler, Rashaan Evans e o excelente coordenador Dean Pees, e que Marcus Mariota exploda dentro do ataque de Matt LeFleur que, pelo menos no papel, é o melhor encaixe para o quarterback desde que ele entrou na liga. Tennessee talvez seja o único time da divisão com uma boa mistura de profundidade de elenco, qualidade ofensiva e qualidade defensiva, cabe a nova equipe técnica transformar isso em resultados positivos. 

 

Jacksonville Jaguars
2017: 10-6 – Perdeu final da AFC

Exp. Pitagórica Ajustada: 12.02
Jogos Apertados: 2-3
DVOA:
DVOA Ataque: 16º
DVOA Defesa:
DVOA Special Teams: 24º
Saldo: +149 (Empatado 3º)
Turnovers: +10
Jogos Perdidos Ajustados: 38.3 (6º)
Força da Tabela: .477 (Empatada 25ª)

Técnico: Doug Marrone (2016) GM: David Caldwell (2013)

Aquisições: QB Cody Kessler, WR Donte Moncrief, TE Austin Seferian-Jenkins, TE Niles Paul, G Andrew Norwell, CB D.J. Hayden, S Cody Davis, S Don Carey.

Perdeu: QB Chad Henne, RB Chris Ivory, WR Allen Robinson, WR Allen Hurns, TE Marcedes Lewis, G Patrick Omameh, LB Paul Posluszny, CB Aaron Colvin, P Brad Nortman.

Draft: DT Taven Bryan, WR DJ Chark, S Ronnie Harrison, OT Will Richardson, QB Tanner Lee, OLB Leon Jacobs, P Logan Cooke

 

Jacksonville tem um pouco de anti-Titans. Os Jaguars são um raro caso do time bom que ficou bem abaixo da expectativa pitagórica, algo que historicamente indica uma melhoria na temporada seguinte. A grande questão com os Jaguars é o ataque, como sempre. Bortles não foi tão ruim quanto o normal na última temporada, mas não fez exatamente por onde merecer uma extensão contratual. Equipes historicamente propensas para um lado como o possuem uma facilidade maior de oscilar entre temporadas por que um ano marginalmente abaixo do esperado na metade mais forte do time é o suficiente para bagunçar tudo se o outro lado não compensa, e não existe nada que indique que o ataque dos Jags será melhor.

 

O corpo de recebedores é, claro, a maior preocupação. O grupo não foi dos mais talentosos ano passado, mas a única real melhoria é Austin Seferian-Jenkins, e estamos falando de um jogador que teve 50 recepções e uma média de 7.1 jardas por recepção em 2017. Como Marqise Lee e Donte Moncrief não são armas das mais confiáveis, Bortles precisará da ajuda do calouro DJ Chark e que os flashes dos segundo-anistas Dede Westbrook e Keelan Cole se transformem em produção consistente. Claro que isso também não será fácil para eles por que o quarterback segue sendo Blake Bortles. Defensivamente, não existem motivos para se preocupar, Jacksonville deve manter um nível de dominância desse lado da bola similar ao de 2017, com apenas lesões atrapalhando. Os Jaguars estão naquele lugar especial em que não é loucura pensar que o time vá ganhar qualquer coisa entre 6 e 12 jogos no ano.  

 

Houston Texans
2017: 4-12 – 3º AFC Sul

Exp. Pitagórica Ajustada: 5.71
Jogos Apertados: 1-4
DVOA: 28º
DVOA Ataque: 25º
DVOA Defesa: 23º
DVOA Special Teams: 26º
Saldo: -98 (28º)
Turnovers: -12
Jogos Perdidos Ajustados: 107.3 (29º)
Força da Tabela: .453 (32ª)

Técnico: Bill O’Brien (2014) GM: Brian Gaine (2018) Rick Smith (2012) está de licença.

Aquisições: QB Joe Webb, OT Seantrel Henderson, G Zach Fulton, G Senio Kelemete, CB Aaron Colvin, S Tyrann Mathieu, S Johnson Bademosi.

Perdeu: QB Tom Savage, OT Chris Clark, OT Derek Newton, G Xavier Su’a-Filo, ILB Brian Cushing, CB Marcus Williams, S Marcus Gilchrist, S Eddie Pleasant.

Draft: S Justin Reid, OT Martinas Rankin, TE Jordan Akins, WR Keke Coutee, DE Duke Ejiofor, TE Jordan Thomas, LB Peter Kalambayi, CB Jermaine Kelly

 

Deshaun Watson e Bill O’Brien é a relação mais importante do time para 2017, mas não é tudo o que Houston terá para oferecer. Especialmente considerando que sim, Watson foi espetacular em 2017, mas ele também jogou pouco, produziu números simplesmente surreais que dificilmente serão mantidos e também cometeu um número considerável de erros. Voltando de lesão e com defesas com filme para estudar, não será surpreendente uma temporada mais contida do QB, e mesmo com isso o Texans pode ser uma grata surpresa por que do outro lado do time tem gente de muita qualidade.

 

J.J. Watt é o maior nome, claro, mas com apenas 8 jogos disputados nos últimos 2 anos, é bom irmos com calma. Jadeveon Clowney, por outro lado, está no caminho oposto após ter disputado sua primeira temporada completa. O edge rusher está em seu último ano de contrato e, independente de onde seja seu futuro, vai chegar com sangue nos olhos para garantir uma extensão grande e gorda. Whitney Mercilus, o nome menos popular mas não menos importante mistura as situações de Clowney e Watt. Ele volta de lesão e está em seu último ano de contrato, precisando mostrar serviço para garantir seu futuro.

 

Mas nem tudo são flores em Houston. A linha ofensiva segue preocupante por mais que alguns reforços tenham chegado, e isso intensifica o temor em relação a saúde de seu quarterback, e a secundária tem potencial mas depende muito dos veteranos Johnathan Joseph e Kareem Jackson. A esperança é que com o trio Watt-Clowney-Mercilus saudável e as inclusões de Aaron Colvin, Tyrann Mathieu e Justin Reid os corners de mais idade não tenham que segurar as pontas sozinhos. Os Texans podem ser a surpresa da temporada ou estarem a alguns anos de competirem seriamente.

 

Indianapolis Colts
2017: 4-12 – 4º AFC Sul

Exp. Pitagórica Ajustada: 4.15
Jogos Apertados: 3-6
DVOA: 31º
DVOA Ataque: 29º
DVOA Defesa: 27º
DVOA Special Teams:
Saldo: -141 (30º)
Turnovers: +5
Jogos Perdidos Ajustados: 101.6 (26º)
Força da Tabela: .482 (Empatada 22ª)

Técnico: Frank Reich (2018) GM: Chris Ballard (2017)

Aquisições: WR Ryan Grant, OT Austin Howard, G Matt Slauson, DE Denico Autry, OLB Najee Goode, CB Kenneth Acker.

Perdeu: RB Frank Gore, WR Donte Moncrief, WR Kamar Aiken, NT Johnathan Hankins, DE/OLB Barkevious Mingo, ILB Jon Bostic, CB Rashaan Melvin, S Darius Butler.

Draft: OG Quenton Nelson, LB Darius Leonard, OG Branden Smith, OLB Kemoko Turay, DE Tyguan Lewis, RB Nyheim Hines, WR Daurice Fountain, RB Jordan Wilkins, WR Deon Cain, LB Matthew Adams, LB Zaire Franklin

 

O Indianapolis Colts conseguiu perder sete jogos em que teve a vantagem até o intervalo. No geral, Indy teve um saldo de -23 no primeiro tempo das partidas, e -118 no segundo. Essa marca do segundo tempo foi, com tranquilidade, a pior da NFL. Entre outros motivos, o cômico nível de conservadorismo dos Colts na segunda metade das partidas foi um dos fatores, algo que deve mudar com Frank Reich como head coach e Andrew Luck finalmente – eu acho – saudável. Somente não ser historicamente ruim e conservador nos momentos decisivos de partidas deve ser o suficiente pra tirar Indy do porão da divisão, mas o time tem outras questões para resolver.

 

A qualidade e a profundidade defensiva dos Colts segue preocupante. O time precisa que calouros como Darius Leonard e Kemoko Turay se desenvolvam rapidamente e consigam jogar em bom nível, enquanto que outros jovens, com um pouco mais de experiência, como Quincy Wilson e Malik Hooker fiquem saudáveis e evoluam para segurar a secundária. Mesmo no melhor cenário, a defesa de Indy não deve passar de mediana, o que só reforça o peso no lado ofensivo do time.

 

Andrew Luck conhece bem o papel de “Noé carregando um monte de animais” mas voltando de lesão e entrando em sua sexta temporada (dentro de campo) seria bom que ele não tivesse mais todo esse peso nas costas. Os Colts são os azarões dentro da AFC Sul, mas estão no caminho correto para sair do buraco da era Grigson-Pagano e podem surpreender os adversários.

Glossário:

Expectativa Pitagórica Ajustada: Criada originalmente para o baseball, a expectativa pitagórica foi ajustada para o futebol americano como uma forma de ver a real qualidade de uma equipe, focando mais na diferença de pontos do que no total de vitórias em si. A sua versão ajustada procura eliminar o impacto de pontuações no “garbage time”, quando o jogo já está decidido.

Jogos Apertados: Quantos jogos definidos por menos de uma posse de bola a equipe ganhou em 2017. Geralmente essas partidas são definidas por detalhes, e vencer um grande número delas é um indicativa de que talvez o time não seja tão bom assim. O Raiders em 2016, por exemplo, foi 8-1 em jogos apertados antes de ir 3-3 em 2017. Até equipes tradicionalmente boas, como os Patriots, tendem a vencer 50% de seus jogos apertados.

DVOA: Analisa a temporada de um time jogada a jogada, comparando o sucesso em cada snap a média da liga baseando-se em variáveis como descida, distância, local em campo, situação de jogo, quarto e qualidade do oponente. Mede efetividade e não números brutos. Colocarei a posição da equipe e não a % em si.

Saldo de pontos: Autoexplicativo e um bom medidor da real qualidade de uma equipe.

Turnovers: Saldo de turnovers do time na temporada.

Jogos Perdidos Ajustados: Número de Football Outsiders que não considera apenas quantos jogos foram perdidos por jogadores do time, mas se esses jogadores eram titulares, reservas imediatos ou reserva situacionais, além de considerar a situação de um jogador antes de jogo, caso ele estivesse provável, questionável, etc.

Força da tabela: Dificuldade da tabela de uma equipe em 2018 considerando os resultados de seus adversários na temporada anterior.

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1 thought on “Prévias NFL 2018 – AFC Sul

  1. Achei muito irrealista a previsão de rafael Brasileiro de que 3 equipes teriam mais de 10 vitórias nesta divisão. Nem mesmo o 14-2 do Jaguars acho viável considerando o calendário da equipe (Patriots, Steelers, Eagles etc. Mas, vamos ver. Ainda bem que setembro chegou!

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