Prévias NFL 2018 – AFC Norte

O Steelers é favorito mais uma vez, mas Baltimore vem forte e renovado e é quase impossível para Cleveland ser tão ruim três anos seguidos. Os Bengals também estão na divisão, talvez para ser um grande coadjuvante, talvez para pegar todo mundo de surpresa. Confira as prévias em nosso podcast aqui e faça perguntas ou cornete a gente no twitter @45jardas. 

 

AFC Norte
Histórico (2002): 3 Super Bowls; 4 Títulos de Conferência.

Títulos de divisão (2002):
Steelers: 8
Ravens: 4
Bengals: 4
Browns: 0

Wildcard (2002):
Ravens: 4
Bengals: 3
Steelers: 2
Browns: 1     

 

Pittsburgh Steelers
2017: 13-3 – Perdeu Divisional

Exp. Pitagórica Ajustada: 10.83
Jogos Apertados: 8-2
DVOA:
DVOA Ataque:
DVOA Defesa:
DVOA Special Teams:
Saldo: +98 (7º)
Turnovers: +2
Jogos Perdidos Ajustados: 30.5(4º)
Força da Tabela: .477 (25ª empatada)
Técnico: Mike Tomlin (2007) GM: Kevin Colbert (2000)

Aquisições: LB Jon Bostic, S Morgan Burnett, S Nat Berhe.

Perdeu: WR Martavis Bryant, OT Chris Hubbard, OLB Arthur Moats, S Mike Mitchell, S Robert Golden, S J.J. Wilcox, CB William Gay.

Draft: LB/S Terrell Edmunds, WR James Washington, QB Mason Rudolph, OT Chukwuma Okorafor, S Marcus Allen, TE Jaylen Samuels, DT Joshua Frazier

 

Saudável, o time do Steelers é um dos melhores da NFL. Le’Veon Bell eventualmente voltará e, mesmo que comece o ano devagar, sabe que estará jogando pelo seu próximo contrato, seja em Pittsburgh ou em outra cidade, e isso é motivação mais do que o suficiente. Na offseason, o Steelers foi quieto como sempre, trouxe alguns veteranos para compor elenco e perdeu outros, destaque para Chris Hubbard, principal reserva da linha ofensiva, que segue como a melhor unidade do time.

 

Terrell Edmunds foi uma escolha questionável logo na primeira rodada mas deve contribuir de forma rotacional logo de cara, já que o Steelers costuma inserir os calouros aos poucos. James Washington tem impressionado na pré-temporada e parece ser mais um acerto da fábrica de wide receivers que não vai sentir muita falta de Martavis Bryant. Ofensivamente, Pittsburgh tem um elenco que não fica atrás de ninguém da liga, e cabe ao novo coordenador ofensivo, Randy Fitchner tirar proveito disso. O mais difícil ele já fez que é deixar Roethlisberger feliz, já que os dois trabalham juntos há algum tempo e se entendem bem.

 

A defesa é o calcanhar de aquiles do Steelers. Desde a triste lesão de Ryan Shazier, o grupo tem sofrido. Vince Williams renovou o contrato como linebacker pelo meio, mas a outra posição ao seu lado é uma grande incógnita, por mais que seja menos importante pela quantidade de jogadas que o time vai ter com cinco ou mais defensive backs – daí a importância logo de cara de Terrell Edmunds, um jogador híbrido de safety e linebacker. A linha defensiva e T.J. Watt fazem um ótimo trabalho indo atrás do quarterback mas precisam que Bud Dupree finalmente apareça, e a unidade não pode sumir nos playoffs como fez contra os Jaguars. A secundária é uma incógnita na posição de safety, já que Joe Haden e um aparentemente melhorado Artie Burns seguram as pontas e o time possui uma gama de terceiros cornes decentes. Como nos últimos anos, só o que para o Steelers é o próprio Steelers (ou New England).

 

Baltimore Ravens
2017: 9-7 – 2º AFC Norte

Exp. Pitagórica Ajustada: 10.64
Jogos Apertados: 2-4
DVOA:
DVOA Ataque: 21º
DVOA Defesa:
DVOA Special Teams:
Saldo: +92 (8º)
Turnovers: +17
Jogos Perdidos Ajustados: 101.6 (27º)
Força da Tabela: .488 (21ª)

Técnico: John Harbaugh (2008) GM: Ozzie Newsome (1996)

Aquisições: QB Robert Griffin, WR Michael Crabtree, WR John Brown, WR Willie Snead.

Perdeu: RB Danny Woodhead, WR Mike Wallace, WR Jeremy Maclin, WR Michael Campanaro, TE Ben Watson, TE Crockett Gillmore, OT Austin Howard, C Ryan Jensen, S Lardarius Webb.

Draft: TE Hayden Hurst, QB Lamar Jackson, OT Orlando Brown, TE Mark Andrews, CB Anthony Averett, LB Kenny Young, WR Jaleel Scott, WR Jordan Lasley, S DeShon Elliott, OT Greg Senat, C Bradley Bozeman, DE Zach Sieler

 

Baltimore, assim como o Steelers, aposta mais em desenvolver jogadores, mas trouxe novas peças para ver se o time é tão bom quanto os números indicam. Com um saldo de pontos no top 10, uma expectativa pitagórica 1,5 jogos acima da campanha, um pouco de azar em jogos apertados e lesões, Baltimore pode muito bem acabar sua pequena seca de playoffs em 2018, ainda mais com uma tabela razoavelmente tranquila.

 

Michael Crabtree, John Brown e Willie Snead são as novas soluções para o problema quase crônico de recebedores do time, assim como Hayden Hurst e Mark Andrews. Esses novos recebedores de passes chegam em um ataque onde Joe Flacco parece ter acordado pra vida (na teoria) e quer provar seu calor após sentir a pressão da chegada do calouro Lamar Jackson, que pouco deve atuar durante o ano. Baltimore tenta, como faz todo ano, mas é difícil ver esse ataque sendo qualquer coisa melhor do que mediano – o que já seria uma evolução.

 

Na defesa, a situação segue sólida, sem grandes mudanças na terceira melhor unidade da liga na última temporada, embora a perda do coordenador Dean Pees para Tennessee possa trazer algumas complicações, assim como a suspensão para os quatro primeiros jogos da temporada. O que também preocupa é o pass rush, já que Terrell Suggs está longe de ser um jovem e as outras opções não metem muito medo em ninguém. Baltimore briga forte pelos playoffs, mas ainda está um ou dois passos atrás do Steelers na divisão. O Ravens vai até onde Justin Tucker levar.

 

Cincinnati Bengals
2017: 7-9 – 3º AFC Norte

Exp. Pitagórica Ajustada: 6.25
Jogos Apertados: 4-4
DVOA: 24º
DVOA Ataque: 22º
DVOA Defesa: 17º
DVOA Special Teams: 21º
Saldo: -59 (22º)
Turnovers: -9
Jogos Perdidos Ajustados: 80.8 (20º)
Força da Tabela: .473 (29ª)

Técnico: Marvin Lewis (2003) GM: Mike Brown (1991)

Aquisições: OT Cordy Glenn, DT Chris Baker, ILB Preston Brown.

Perdeu: QB A.J. McCarron, RB Jeremy Hill, OT Andre Smith, C Russell Bodine, DE Chris Smith, ILB Kevin Minter, CB Pacman Jones, S George Iloka.

Draft: C Billy Price, S Jessie Bates, DE Sam Hubbard, OLB Malik Jefferson, RB Mark Walton, CB Davontae Harris, DE Andrew Brown, CB Darius Phillips, QB Logan Woodside, OG Rod Taylor, WR Auden Tate

 

É impressionante e absurdo que Marvin Lewis não tenha sido demitido após a temporada passada, o comprometimento de Mike Brown com a mediocridade é comovente. Não que Lewis não tenha seus méritos, ele trouxe Cincinnati de volta a relevância, tirou o time de uma situação parecida com a dos Browns atuais, mas nenhuma vitória nos playoffs em 15 anos é demais.

 

Cincinnati, assim como Baltimore e Pittsburgh (mas sem o sucesso) pouco brinca na free agency, e prefere desenvolver seus próprios jogadores e dar chances para atletas com passados problemáticos. O time melhorou na linha ofensiva com a adição de Cordy Glenn, e Billy Price deve contribuir de imediato, mas o resto da OL preocupa. Outro jovem que o time espera que contribua é John Ross, mas fora ele os recebedores são A.J. Green, o corpo de Tyler Eifert e vários qualquer coisa. Ah, o quarterback segue Andy Dalton, então o time tem um teto bem definido.

 

Defensivamente os Bengals ainda dependem de veteranos no front seven e de jovens na secundária. Esse time, ainda mais com um ataque não recheado de talentos, precisa que Marvin Lewis conjure uma defesa como as que ele tinha em Baltimore que o fizeram ser head coach. Infelizmente o time ainda depende de Vontaze Burfict, que vai, surpreendendo ninguém, começar a temporada suspenso. Os Bengals possuem um elenco agressivamente mediano, um técnico agressivamente mediano e um dono agressivamente mediano. Não esperem muita coisa.

 

Cleveland Browns
2017: 0-16 – 4º AFC Norte

Exp. Pitagórica Ajustada: 2.92
Jogos Apertados: 0-6
DVOA: 32º
DVOA Ataque: 32º
DVOA Defesa: 16º
DVOA Special Teams: 27º
Saldo: -176 (32º)
Turnovers: -28
Jogos Perdidos Ajustados: 52.7 (12º)
Força da Tabela: .523 (5ª empatada)

Técnico: Hue Jackson (2016) GM: John Dorsey (2018)

Aquisições: QB Tyrod Taylor, QB Drew Stanton, RB Carlos Hyde, WR Jarvis Landry, WR Jeff Janis, TE Darren Fells, OT Chris Hubbard, DE Chris Smith, LB Mychal Kendricks, CB E.J. Gaines, CB T.J. Carrie, CB Terrance Mitchell, S Damarious Randall.

Perdeu: QB DeShone Kizer, QB Cody Kessler, RB Isaiah Crowell, TE Randall Telfer, OT Joe Thomas, DT Danny Shelton, LB Tank Carder, CB Jason McCourty, CB Jamar Taylor.

Draft: QB Baker Mayfield, CB Denzel Ward, C Austin Corbett, RB Nick Chubb, DE Chad Thomas, WR Antonio Callaway, LB Genard Avery, WR Damion Ratley, CB Simeon Thomas

 

Pior que tá não fica. 0-16 em 2017, 1-31 nos últimos dois anos. Todos sabem a história. Por algum motivo Hue Jackson permanece como técnico e Gregg Williams como coordenador defensivo (foi 16º mas o talento que tem lá pode fazer mais), e os Browns adicionaram Todd Haley só para a sala de técnicos ficar mais animada. O novo GM John Dorsey, que chegou em dezembro, não teve qualquer receio em bagunçar o elenco e adicionar várias peças interessantes e que devem contribuir imediatamente como Hyde, Landry, Kendricks e outros veteranos, além de um grupo interessantíssimo de calouros.

 

Não se engane, Tyrod Taylor é o quarterback titular em 2017. Ele caiu pra cima saindo de Buffalo, onde carregou um monte de animais para os playoffs para Cleveland, onde ele tem talento na linha ofensiva, no grupo de recebedores e no ataque para trabalhar. Todd Haley e Hue tem seus problemas, mas entendem de ataque, e Tyrod pode ter seu melhor ano com as armas ao redor. A questão é se tudo vai encaixar rapidamente, já que são muitas novidades.

 

A defesa de Cleveland foi mediana e por mais que eu ache Williams um DC ultrapassado, só a evolução de jovens como Myles Garrett e a experiência de veteranos tem tudo para deixar a defesa ainda mais sólida, quem sabe se aproximando do top 10 da liga já que o ataque não vai cometer tantos turnovers com Taylor no comando, dando tempo para a defesa descansar e ter mais campo para defender. O objetivo de Dorsey era, antes de qualquer coisa, fazer dos Browns um time respeitável e competitivo, com uma mistura saudável de jovens e veteranos, e isso ele fez. Cabe aos técnicos tirarem o melhor desse grupo e trazerem vitórias, e é aí o maior problema dos Browns. Cleveland deve ficar em uma faixa de 4 a 8 vitórias, e isso já é motivo para comemorar.

Glossário:

Expectativa Pitagórica Ajustada: Criada originalmente para o baseball, a expectativa pitagórica foi ajustada para o futebol americano como uma forma de ver a real qualidade de uma equipe, focando mais na diferença de pontos do que no total de vitórias em si. A sua versão ajustada procura eliminar o impacto de pontuações no “garbage time”, quando o jogo já está decidido.

Jogos Apertados: Quantos jogos definidos por menos de uma posse de bola a equipe ganhou em 2017. Geralmente essas partidas são definidas por detalhes, e vencer um grande número delas é um indicativa de que talvez o time não seja tão bom assim. O Raiders em 2016, por exemplo, foi 8-1 em jogos apertados antes de ir 3-3 em 2017. Até equipes tradicionalmente boas, como os Patriots, tendem a vencer 50% de seus jogos apertados.

DVOA: Analisa a temporada de um time jogada a jogada, comparando o sucesso em cada snap a média da liga baseando-se em variáveis como descida, distância, local em campo, situação de jogo, quarto e qualidade do oponente. Mede efetividade e não números brutos. Colocarei a posição da equipe e não a % em si.

Saldo de pontos: Autoexplicativo e um bom medidor da real qualidade de uma equipe.

Turnovers: Saldo de turnovers do time na temporada.

Jogos Perdidos Ajustados: Número de Football Outsiders que não considera apenas quantos jogos foram perdidos por jogadores do time, mas se esses jogadores eram titulares, reservas imediatos ou reserva situacionais, além de considerar a situação de um jogador antes de jogo, caso ele estivesse provável, questionável, etc.

Força da tabela: Dificuldade da tabela de uma equipe em 2018 considerando os resultados de seus adversários na temporada anterior.

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