O senhor comeback

Com mais um placar decidido pelas suas mãos, Tom Brady empatou com Drew Brees e Brett Favre e se tornou o terceiro da história da NFL em viradas no quarto período com 43 triunfos. Ainda distante das 54 vitórias neste critério de Peyton Manning, Brady pode conseguir, sem muito problema, alcançar Dan Marino, que ocupa o segundo posto com 47.

Ao longo dos anos uma das verdades construídas na liga é que não se pode deixar a bola nas mãos do camisa 12 do Patriots com razoável tempo de relógio no quarto período. Ele tende a executar, e é exatamente isso que os números mostram.

Foram 54 drives para vitória (não confundir com viradas no quarto período), contando touchdown e field goal, ao longo dos anos em que o atleta está na NFL. Seu cartão de visita foram as duas primeiras temporadas como titular, 2001 e 2002, onde ele ajudou New England a sair com a vitória no quarto e decisivo período por oito vezes. Um detalhe curioso: Em todos os jogos o placar foi decidido por três pontos ou menos de diferença.

E é este o foco principal do texto. Novamente neste domingo assistimos Tom Brady carregar o ataque dos Patriots até uma situação favorável para o field goal e com isso dar números finais à partida. Já vimos Tom fazer isso em Super Bowl, em final de Conferência e em partida da temporada regular, mas, de fato, quantas vezes isso ocorreu?
Das 54 partidas que Brady participou da drive da vitória, em 33 o placar foi decidido por 3 pontos ou menos. E destas 33 partidas, em 20 a decisão esteve nos pés do kicker, seja Adam Vinatieri ou Stephen Gostkoswki. Ou seja, em 60,6% dos casos, Tom não precisou marcar para sair de campo vitorioso.

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Agora que vem um ponto extremamente interessante desta análise: Em 16 destes 20 field goals da vitória, o kicker foi colocado em situação de pontuar na prorrogação ou com 1 minuto ou menos para o fim do jogo. É a prova cabal que as equipes que enfrentam o New England Patriots precisam entender que não se pode, de maneira nenhuma, deixar Brady com tempo no relógio para vencer. A tendência é ele conseguir, como aconteceu no último sunday night football.

Com uma drive rápida e eficiente, o Kansas City Chiefs conseguiu pontuar através de uma bela recepção de Tyreek Hill, onde foi demonstrado todo seu atleticismo e velocidade, empatando o placar em 40×40. O problema é que essa jogada resultou em muito tempo de relógio, pouco mais de três minutos, para os Patriots responderem. O que aconteceu foram 7 jogadas para 65 jardas e um field goal de 28 jardas com o relógio zerado, com direito a ajuste perfeito para o chute, através de uma corrida de Tom Brady para o meio das hashs.

Bem distribuído, o ataque dos Pats executou três corridas, duas com Sony Michel e uma com Edelman, e dois passes. Passes, inclusive, que tiveram significados, pois foi o 84º jogo do camisa 12 para 300 jardas ou mais, sendo o terceiro na história da liga, e a 500ª recepção de Gronkowski, sendo o 15º tight end a atingir este feito.
Por isso que, independentemente da situação da equipe comandada por Belichick, não há jogo decidido com tempo no relógio e Tom Brady recebendo os snaps. Um dia as comissões técnicas da NFL aprendem. Enquanto isso vamos aproveitando.

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