A confusão em Arizona

 

Dia 25 de Abril de 2019 sacramentou o que já vinha sendo esperado desde a contratação do Head Coach Kliff Kingsbury: O futuro de Arizona é Kyler Murray. A equipe do deserto abriu mão de buscar um novo talento em uma das melhores classes de edges dos últimos anos por acreditar na aposta do novo treinador.

E é isso que Murray é. Por mais que tenha vencido o Heisman, o QB de Oklahoma vem com uma grande dúvida se conseguiria executar bem na NFL o que fez no College. Não é uma transição fácil. Se exige muito do atleta mentalmente e fisicamente, e especialmente para a primeira escolha geral de um draft, esta pressão é ainda maior.

Não há duvidas quanto ao talento do jogador. Foi um dos maiores, se não maior, atleta de High School da história, aguardou pacientemente sua hora em Oklahoma e jogou demais, conquistando o principal prêmio individual universitário, e ainda abriu mão de um bom salário inicial na MLB para buscar seu sonho de ser QB na NFL. Conseguiu o que queria. Terá um contrato garantido muito bom e a “a chave da cidade”, porém o custo foi alto.

 

 

Alto, pois Arizona colocou um grande alvo nas costas do jogador, que terá que contribuir bem já no primeiro ano, para justificar a confusão que a administração do time fez, abrindo mão de um atleta escolhido alto no recrutamento passado, tendo sido, inclusive, selecionado após os Cardinals subirem no draft para tê-lo.

Agora, não só Kyler, mas Kliff Kingsbury precisarão dar uma cara nova à Arizona, trazer mais vitórias e o mais importante: dinamizar o ataque. Mesmo que o retrospecto termine negativo na temporada, um bom desempenho, especialmente do lado ofensivo do campo, será suficiente para a manutenção do trabalho do treinador, caso contrário, não tenho dúvidas que ele será demitido.

 

 

E não só ele, mas o General Manager também. Steve Keim merece críticas, que inclusive não está sofrendo tanto quanto deveria. Vale ressaltar novamente que Keim subiu no draft de 2018 para selecionar Josh Rosen. Se em um ano ele já abriu mão do jogador, faltou claramente convicção na sua escolha. Como posso acreditar que ele está completamente seguro ao contratar o novo HC?

Seu futuro, portanto, está nas mãos do treinador e seu xodó. Os destinos dos três estão interligados, tanto positiva quanto negativamente.

 

 

Agora, o que resta para Josh Rosen?

Inicialmente não se pode deixar de falar que o atleta tratou com total profissionalismo toda a confusão dos Cardinals. Não deu um piu na mídia, se apresentou para trabalhar e aguardou pacientemente a decisão administrativa da equipe de seguir em frente sem ele. Só então, gravou um vídeo agradecendo a antiga equipe, elogiando o novo QB e saudando seu novo time, Miami Dolphins. Impecável.

Você pode questionar as atitudes de Rosen pré-NFL, mas no pós-draft o garoto vem mostrando tranquilidade. Paga, entretanto, ainda pela fama que ganhou no processo de recrutamento de 2018. Um sinal claro disso foi a estapafúrdia declaração de Steve Smith, não poupando críticas ao QB por algo que, sinceramente, ele não fez. A realidade alternativa criada na cabeça do antigo-WR e atual analista, é que Josh Rosen fez um escândalo para sair do time ao invés de competir, quando na verdade, nada disso aconteceu. A insinuação de que partiu dele a saída de Arizona é algo extremamente equivocado. Trato aquele “esculacho” de Steve Smith como algo sensacionalista, exagerado e completamente fora da realidade. Como diria Luke Skywalker em “O Último Jedi”, é impressionante como cada palavra que saiu da boca dele não era verdade.

Agora em Miami, Rosen espera a titularidade. Não é para menos, os Dolphins sinalizaram uma completa reconstrução e Ryan Fitzpatrick não é solução para nada, e sim um paliativo. Se tudo der errado, ele assume o barco e finaliza a temporada, que inclusive tem tudo para ter o desfecho de Miami ser uma das primeiras escolhas gerais do draft de 2020.

Portanto, em um cenário tão adverso assim, nada melhor que entregar a Josh Rosen o posto de QB1, testar como ele responde, analisar se vale a pena mantê-lo, e caso sim, investir em peças a partir do próximo ano para fortalecer a equipe, sem se preocupar momentaneamente com a posição.

É um cenário extremamente decisivo para o jovem quarterback, ex-UCLA, que terá que dar o seu máximo, pois se não for bem, dificilmente verá ação como QB1 de uma equipe da NFL novamente.

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