• Rafael Brasileiro

Como é bom ter a NFL de volta


Kyler Murray criou problemas para a defesa dos 49ers e foi um dos destaques da rodada

O domingo do dia 13 de setembro de 2020 não era um normal. 2020 não é normal como um todo, mas acordar sabendo que teríamos mais de dez horas de futebol americano para assistirmos fazia do dia bem especial. A temporada que por alguns momentos esteve em risco, começou na última quinta-feira e por isso levantei cedo.


7h já estava de pé. Tinha que finalizar as artes do 45 Jardas, assumir o plantão de um cliente e tentar ir jogar bola às 10h. A garrafa de água me acompanhou até 9h quando me toquei que tinha que comer para aguentar a pelada. Apesar de estar trabalhando, a segunda tela sempre era consultada. O tablet já estava do meu lado para saber o que estava acontecendo ao redor dos Estados Unidos. Quem estaria fora dos jogos? Quem não treinou a semana toda, mas aparecerá em campo?


Café feito, vitamina tomada, artes prontas e aprovadas pelos meus amigos Mateus Cavalcanti e Julio Adeodato. Já podia sair de casa e tentar ir jogar bola. Cheguei 45 minutos atrasado, mas ainda consegui jogar por mais de um hora. Deu para suar e começar a observar o que tinha mudado na escalação do Fantasy Football no retorno para casa.


A rodada começou e eu ainda estava no supermercado comprando pimentão para o almoço que faria e ainda iria comprar a cerveja que a patroa pediu. Uma tal de Miller High Life. O Champanhe das Cervejas. É o slogan dela. Levinha e você bebe sem sentir.


Vi os primeiros touchdowns pela tela do celular e não tive surpresa alguma ao ver Cam Newton sendo para as corridas e Lamar Jackson achando Mark Andrews para o primeiro touchdown em Baltimore. Já em casa, não me surpreendeu ver os Bills abrirem liderança sobre os Jets, Eagles abrir 17 pontos sobre Washington e os Seahawks começarem a dominar os Falcons após o intervalo. O que me intrigava era ver os Colts sofrerem em Jacksoville.


Gardner Minshew, o nosso jardineiro fiel, foi preciso como poucos. 19/20 nos passes, 173 jardas e 3 touchdowns. É possível aceitar isso. O que não dá para entender é como os Colts, que têm um time muito melhor, não conseguiu se impor. Os 17 a 14 no intervalo me deixaram intrigado e o segundo tempo confirmou a desconfiança. Os Colts só marcaram 3 pontos e a defesa dos Jaguars foi implacável. Myles Jack e CJ Henderson foram os grandes nomes. O novato teve uma interceptação no primeiro tempo e defendeu três passes, sendo um deles o último lance ofensivo dos Colts.

Nesse momento já era claro que outro jogo tinha uma zebraça galopando. Os Eagles abriram 17 pontos de vantagem e acho que voltaram para a Filadélfia e começaram a pensar no que comeriam no jantar. O time de Ron Rivera não tem nada a perder esse ano todo. Eles sabem que são um projeto, mas também sabem que possuem muito talento na equipe. A defesa, melhor unidade da equipe, fez da vida de Carson Wentz um inferno e duas interceptações mudaram o jogo. As duas interceptações foram transformadas em dois touchdowns por Washington e o curioso é que Wentz entregou as bolas em apenas uma jogas nas duas ocasiões. Rivera e cia não tinham nada com isso e merecem comemorar demais. Ainda mais quando o técnico está lutando contra um câncer.

Comecei a dar uma atenção especial a um jogo que parecia definido. Os Lions jogaram uma liderança de 23 a 6 no lixo. A virada no quarto período serviu para o técnico Matt Nagy poder soltar o velho “eu avisei” e justificar a permanência de Mitchell Trubisky. E ele acertou ao menos no quarto período. O Velho Truba foi quase perfeito. Foram 10 passes no último período e ele só errou dois e marcou três touchdowns aéreos. 2020 é definitivamente um ano estranho.

Por outro lado, Matt Patricia teve três chances de queimar o relógio. Quando o jogo ainda estava 23 a 13, Patricia arriscou um field goal de 55 jardas. Faltavam 4:08 no relógio. Depois, com 23 a 20 e 2:45 restando, ele poderia ser mais conservador em uma 3ª para 5 jardas. Lançar a bola é o normal, mas por que em um momento tão crítico e no qual você poderia queimar o último tempo dos Bears e colocar eles no seu próprio campo em um punt? Atitudes de alguém desesperado? Muito cedo para a semana 1.


Neste momento já tinha voltado ao sofá e coloquei 49ers x Cardinals na TV e segui com o Red Zone no tablet. Tentei dar uma oportunidade a Bengals x Chargers, mas o jogo foi bem ruim de assistir. Poderíamos falar que foram as defesas que complicaram as vidas dos ataques, mas alguns lances mostraram que não foi assim. O mais simbólico foi o de AJ Green, que marcou o touchdown da vitória, mas foi creditado com uma falta de interferência de passe e levou o novato Joe Burrow à loucura. São dois times que espero que melhorem um pouco mais com o passar das semanas, mas que acredito que não irão longe na temporada. Buccaneers visitando os Saints também foi observado pelo Red Zone e na segunda-feira no formato condensado do Game Pass. Mudei um pouco minha percepção. Se antes achava que Brady e seu ataque foram mal, ficou claro que a defesa dos Saints teve um peso enorme no resultado. O passa rush e a cobertura pareciam estar no mesmo ritmo e Tom Brady entrou em uma sequência de três jogos consecutivos com pick sixes. Um começo ruim, mas tenham calma. Brady ainda está se adptando ao novo time. No jogo que mais prestei atenção, os 49ers deram sinais de que não teriam problemas como em 2019, quando tiveram dificuldade nos dois jogos contra o time do técnico novato Kliff Kingsbury. Os 10 a 0 foram apenas uma ilusão e Kyler Murray deslizou como desejou por todo o campo e quando precisou, DeAndre Hopkins estava lá para ajudá-lo. Essa combinação nçao foi páreo para a defesa dos 49ers, que é uma das melhores da liga. Mas no fim das contas quem não ajudou mesmo foi Jimmy Garoppolo e seu desespero dentro do pocket. Ou ele melhorar esse aspecto ou vai sofrer muito em 2020.

Depois de 12 jogos, era a hora do Sunday Report. Não assistiu? Confere aqui!


Estádio novo e velhos problemas nos visitantes

A abertura do Sofi Stadium poderia ser mais animada. Abri uma Prospect, da Cervejaria Left Field para comemorar a grande estreia do Sunday Report e ver o primeiro Monday Night da temporada. Pense numa IPA! Nesse momento fiquei com uma sensação estranha e triste em ver aquele estádio vazio. Ficou claro que jogo sem torcedores é algo bem estranho em uma liga que a gente sempre vê os estádios abarrotados e vibrantes durante toda a partida. Mas o momento não permite. Pelo menos a gente pode ver vários detalhes do estádio e o quanto a transmissão americana estressou isso. Ficou até chato em alguns momentos. Em campo, eu fiquei surpreso com dois fatores. O primeiro foram os Rams serem mais competitivos do que o esperado. Ofensivamente eu tinha dúvidas por conta dos poucos reforços que chegaram. Na defesa era se ter apenas Aaron Donald e Jalen Ramsey seria o suficiente. Ao menos no primeiro jogo Malcom Brown deu conta do recado no ataque e na defesa Leonard Floyd e John Johnson mostraram que serão peças valiosas. Mesmo assim os Cowboys tinham obrigação de mostrar mais. Faltou mais proteção a Dak Prescott e, talvez, uma maior criatividade do time. Muitas chamadas parecidas com as de 2019 e a sensação de que o resultado pode ser decepcionante novamente. Na defesa os Cowboys, Van Der Esch lesionou a clavícula e ficará por algumas semanas. O maior problema foi no ataque, onde Blake Jarwin lesionou o joelho e está fora da temporada 2020. Mike McCarthy ainda tentou uma quarta descida que poderia ter empatado a partida se fosse para o field goal. Poderia ter sido um pouco conservador, mas com a linha ofensiva indo tão mal, era difícil ter outra chance daquela. Sobre o lance abaixo só vou falar algo. Falta. Os dois atletas se empurram no começo e no segundo momento Gallup obtém vantagem com sua esticada. A flag sai tão rápida que o juiz claramente não pensou duas vezes.

O MVP da Semana

Na primeira semana da NFL, alguns podem ter se sentido em 2019. Russell Wilson, Lamar Jackson e Patrick Mahomes combinaram para 808 jardas, 10 touchdowns e nenhuma interceptação e acertaram em 75 passes em 92 tentativas. Os três tiverem atuações do mesmo nível do ano passado, mas a grande estrela no pocket foi outra.


Aaron Rodgers trucidou a defesa dos Vikings como poucos. Se na primeira campanha ele não soltou o braço, depois de “aquecer” o Xerife colocou a bola onde quis. Os 32 acertos em 44 tentativas resultaram em 364 jardas e 4 touchdowns. Os números falam por si, mas alguns lances, como o passe para Davante Adams são memoráveis.

Rodgers também terá que pagar um jantar especial para a sua linha ofensiva. Ele saiu de campo sem ser sackado e só foi tocado duas vezes na partida. A nota de 94.6 para o time no PFF explica muita coisa.


Menções honrosas da semana: DeAndre Hopkins - 14 recepções e 151 jardas. Josh Jacobs - 25 corridas, 4 recepções, 139 jardas totais e 3 touchdowns. Jamal Adams - 10 tackles, 2 assistências, 1 sack, 2 hits e 1 pressão no quarterback.

Aaron Donald - 1 sack, 3 hits, e 6 pressões no quarterback.


Bem-vindo a NFL, novato.

Alguns atletas nem pareciam ser novatos. Clyde Helaire-Edwards e Chase Young são exemplos disso. Já Isaiah Simmons sofreu na sua estreia. Em dois tocuhdowns dos 49ers, Simmons perdeu seu marcador e deixou o caminho livre para esse touchdown gigante de Mostert.

Top 5 da Semana

Toda semana vou escolher 5 jogadas que gostei e colocar nesta coluna. Esqueci de alguma?

Coloca lá nos comentários para me lembrar.


#5 - Olha esse peão!

Chase Young fez bonito na sua estreia e esse sack parecia coisa de veterano com esse giro sensacional.


#4 - Fica no chão, papai!

O safety Justin Reid tá procurando CHE até agora e pelo visto não achou. #3 - Segurem o monstro!

DK Metcalf é forte, grande MUITO rápido! Contra a cover 1 ele vai fazer a festa sempre!


#2 Uma mão? Sem problemas!

Mark Andrews só precisou de uma mão para marcar o seu primeiro touchdown do ano. #1 - Interceptação de OLB? Amamos!

TJ Watt faz parecer fácil, mas interceptação desse modo é complicado demais e ele conseguiu!


A NFL só acaba na segunda-feira!

O primeiro Monday Night é tradicionalmente uma rodada dupla com um jogo na costa leste e outro na oeste. No primeiro jogo, os Giants deram mais trabalho do que eu esperava para o time dos Steelers. Nos dois lados da bola. Porém, os Steelers têm a mesma defesa de 2019, que é ótima. Saquon Barkley não correu contra ela. Foram 6 jardas em 15 tentativas. Ele só foi efetivo em passes e mesmo assim saiu sem marcar touchdowns.


Além disso, Big Ben está de volta. Segue demorando demais no pocket, toma algumas decisões duvidosas e parece cansado. Mas enquanto ele estiver em campo, os Steelers sempre serão perigosos. O 26 a 16 poderia ter sido até mais calmo para o lado preto e amarelo, mas Daniel Jones e Darius Slayton mostraram que podem ser uma dupla interessante nos próximos anos.

No segundo jogo, Ryan Tannehill parecia meio perdido na sua primeira campanha. Parecia ainda estar dormindo ou planejando algum modo de gastar o seu novo contrato. A sorte dele é que Derrick Henry continua uma máquina e o cuidado é para transformar esse ataque em algo menos previsível.


Ainda assim, o time sofreu para entrar na endzone e dependeu do seu kicker. A conexão de Jon Robinson, GM dos Titans, com os Patriots está começando a ser nociva em alguns pontos e contratar Gostkowski não parece ter sido uma boa ideia. Ele errou field goals de 47 e 42 jardas, teve um de 44 bloqueado e ainda errou um ponto extra. Mas a NFL permite que as narrativas sejam mudadas dentro de 60 minutos. Para ironia do destino, o kicker acertou o field goal de 25 jardas e garantiu a vitória dos Titans.


Os Broncos foram mais time do que o esperado. Sem Von Miller, seu líder na defesa, para o resto da temporada, o time não contou com Courtland Sutton, principal recebedor, e ainda perdeu Melvin Gordon e AJ Bouye durante o jogo. Eram fatores que podiam ser sentido muito mais. Porém, Drew Lock e cia mostraram que podem dar trabalho já neste ano e até a defesa mostrou que mesmo sem Von Miller dá para ser competitivo. A noite poderia ser um pouco diferente se o Head Coach Vic Fangio tivesse gasto algum dos seus três pedidos de tempo que ele guardou, inexplicavelmente, até o fim.


Gostou? Não gostou? Tem sugestões? Quer ver algo na próxima? Deixa nos comentários o que você pensou!



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