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Eles também mudaram o jogo


Documentários esportivos não são uma novidade. Neste tempo de quarentena, o tempo, para alguns, ficou maior e pudemos debater muito sobre eles nas redes sociais e vale lembrar que o futebol americano tem vários. A série Football Life, o Hard Knocks, All or Nothing e diversos da ESPN. Mas o Last Dance, ou Arremesso Final no Brasil, fez barulho. Michael Jordan e os Bulls nos ensinaram mais sobre legado do que basquete. A equipe que Michael Jordan liderou por 13 temporadas mudou o basquete. O camisa 23 foi o expoente disso não apenas por ser o jogador mais completo da época. Ele é esse símbolo porque levou o esporte a outro patamar. Eu assisti NBA pela Band e com Luciano do Valle narrando e mentiria se minha maior memória era Jordan. Era Reggie Miller e Rik Smitts. Mas eles só estavam ali por conta Jordan. Foi o astro que fez a NBA se tornar global. Alguém fez isso pela NFL? Fez. É óbvio que a tecnologia, a internet e as redes sociais ajudaram a expandir o esporte, mas neste século há dois jogadores que colocaram a NFL em outro patamar. O primeiro, sem dúvida alguma, é Tom Brady.

O quarterback, ou marido de Gisele, virou o símbolo da liga por vários motivos. Os títulos são os principais. Os seis anéis, o domínio na AFC e os absurdos 9 Super Bowls, o colocaram em outro patamar. Uma supremacia que criou curiosidade em torno de um esporte que não tinha dinastias desde a década de 90. Ele repetiu o feito de Jordan e, até o momento, o debate sobre o GOAT (Greatest Of All Time) não tem mais sentido na NFL. Brady segue tanto os passos de Jordan, que parece não saber quando parar. Vai começar a temporada com 43 anos e já afirmou que deseja ir até os 45. Talvez seja o desejo de não ver sua supremacia questionada. Pode ser a vontade de pulverizar todos os recordes possíveis. Respostas que Brady pode dar em breve. Talvez em um documentário no futuro. Uma obstinação que me faz pensar no que ele é diferente de Jordan.

Uma das grandes críticas a Jordan é que ele não sabia lidar com seus companheiros, técnicos e até dirigentes. Isso ficou claro no documentário e só é novidade para quem não sabia das histórias da década de 90. E o documentário ainda mostrou pouco. Foram inúmeras situações e bem piores. Algo que acontece muito em esportes de alto rendimento. Eu achava que era algo apenas de esportes coletivos, mas Michael Phelps me desmentiu. Disse que era idêntico. Por esses fatores, duvido muito Tom Brady seja o cara mais tranquilo do mundo. Quem sabe um dia a gente descubra que ele também atormentava companheiros e pegava no pé do General Manager (isso a gente já sabe, né?). Não me assustará e já deixo avisado. Não vou criticar . É o preço que se cobra quando se trabalha de forma coletiva e você é o melhor daquele time.

Você pode achar que se fosse, já saberíamos. Redes sociais e a quantidade de pessoas envolvidas falariam. Mas até hoje não sabemos a verdade sobre muita coisa dos Patriots. E quando se tem esse tipo de sucesso, alguns entendem o que foi cobrado quando o objetivo é alcançado. E, como meu amigo Lucas David comentou comigo, é provável que existiam dois Jordans no vestiário dos Patriots e por isso foi necessária uma separação.


Quem é o segundo? Vou ser simples direto e seco. Russell Wilson é o outro atleta. Alguns largaram o texto agora. Mas há uma justificativa. Na verdade existem várias. Russell chegou na NFL como uma aposta. Todos o viam como um reserva e ficavam surpresos por ser tão dedicado e ter consciência do que poderia fazer em campo.

Por ser baixo (1.80m) e ter passado três anos em um sistema que era um “quarterrunninback”, Wilson não era visto como um jogador digno de ser titular na NFL. Outros, com histórico universitário melhor, tentaram antes e falharam. Por que Wilson daria certo? Os olheiros não souberam responder e coube a Wilson surpreender até os Seahawks, que contrataram Matt Flynn para ser o titular de 2012.


Wilson mudou o jogo porque era uma ameaça dupla. Se não desse pelo ar, seria pelo chão. Tivemos Michael Vick em anos anteriores? Sim! Mas Vick não foi ao Super Bowl duas vezes, não conquistou um deles, não jogou todos os jogos possíveis da carreira e nem foi preciso como um quarterback precisa ser. Wilson está longe de ser perfeito, mas é inegável que por causa dele quarterbacks mais conhecidos por correr do que por passes fantásticos, ou questionados por sua altura, ganharam espaço.


Lógico que erros aconteceram. EJ Manuel, Geno Smith Johnny Manziel receberam chances que não deveriam. Mas DeShaun Watson, Lamar Jackson, Baker Mayfield, Kyler Murray e Tua Tagovailoa têm que agradecer por Wilson ter dado certo. Tanto Wilson, como Brady, representam mudanças no jogo. Ambos tem um quê de Jordan. Você pode odiar algo neles, mas tem que admitir que eles foram muito bons para a NFL. Basta torcer que tenham documentários no futuro para contar mais detalhes que não sabemos. Dica da semana Já que falei de Brady, tinha que trazer essa dica aqui. Sports Wars é um podcast que fala sobre rivalidades e dividido em vários episódios. Um deles é Brady x Manning e há várias outras rivalidades para se explorar. Vale a pena dar o play.


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